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A Lenda do Padre Sebastião |
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Foi entre os anos 1846 a 1854, quando Santo Antônio do Monte era um Curato, que se deu o acontecimento. A posse do terreno ocupado pela casa do Sr. Francisco Franco, onde hoje reside D. Georgina Franco, entre a rua Afonso Pena e Av. Cel. Amâncio Bernardes (Antiga Tiradentes), era disputado por Padre Sebastião, cura do Distrito, e por uma rica fazendeira da região. |
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Agindo rapidamente, mandou ela, às ocultas, o material e os operários necessários para se levantar uma casa, da noite para o dia, no terreno disputado, pois esse era o meio de que se serviam os antigos para garantir a posse, em casos idênticos. |
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| Tendo sido informado, Padre Sebastião se dirigiu ao local, tentando impedir que a construção fosse levada a termo. Suas argumentações não surtiram efeito. Encolerizado, proclamou os direitos que julgava ter, sendo, por isso, barbaramente espancado pela fazendeira, seus empregados e seus filhos que também se proclamavam os donos do terreno. E ela, no auge da raiva, gritava que a casa seria construída a qualquer maneira. | |
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A lenda nos diz, então, que o Padre amaldiçoou a fazendeira, seus agressores e o distrito, escrevendo em latim, com seu próprio sangue, na porta da casa onde residia (talvez onde hoje seja a residência do Sr. Leopoldino Luis da Silva), que o distrito haveria de se acabar em profundos buracos ou desbarrancados. |
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O Professor Miguel Eugênio de Campos nos diz, em seu diário, que solicitou esclarecimentos a Monsenhor Otaviano e este lhe forneceu novos informes que relatamos a seguir: |
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"Quanto à lenda, disse-nos que o aludido Padre apenas desenhou, com o sangue que jorrava da sua cabeça, uma coroa na porta da casa em que residia e, por baixo desta, também com o próprio sangue, pôs a data do lamentável acontecimento em algarismos romanos. |
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Da ignorância do povo de então resultou a lenda que é aqui geralmente conhecida". Mas, reforçando a lenda, existem, dentro e nos arredores da cidade, as voçorocas provocadas pela erosão dos ventos e das chuvas e também pela qualidade do terreno, arenoso e quebradiço. |
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Prossegue o Professor Miguel Campos: "Parece, entretanto, que a justiça divina atuando, segundo a opinião da maioria do povo, sobre tal família, fez com que ela desaparecesse totalmente, não ficando da mesma um só sobrevivente. A mulher tornou-se logo paralítica e, quando morreu, estava com as pernas tão encolhidas que necessário foi um caixão apropriado para que pudesse ser sepultada. Os filhos, conforme crença geral, foram também punidos por Deus e, de infelicidade, desapareceram da localidade sem deixar sequer descendentes". |
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A Luz da Chapada |
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Sempre se falou, em todo o município, na misteriosa "Luz da Chapada". Muitos a viram e amedrontaram-se, mas o que será tal luz? "Segundo o Sr. Vicente José Bolina, a Luz da Chapada aparece na Cachoeira Bonita. Ela se apresenta sob a forma de cabeça de vaca, cabeça de cachorro e figura de uma moça. Dizem que foi uma moça que se perdeu e morreu, por isso ela fica vagando. Quem abusa pode se dar mal, pois é coisa do outro mundo. |
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O Sr. Vicente nos contou que um fazendeiro, Geraldo Augusto, abusada sempre da luz, certo dia, quando em viagem a cavalo, viu a luz no barranco, querendo passar, disse à luz que fugisse dali, pois ele iria atravessar, e atirou nela. No mesmo instante a luz veio sobre ele, que ficou, então, doente por muitos dias. |
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Outra vez, o mesmo fazendeiro, indo à casa de seu filho, viu novamente a luz, e, abusando, tentou acender seu cigarro, mas sua barba foi queimada pela luz. |
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Disse-nos o Sr. Vicente, que a luz é como uma estrela que se movimenta, ela pode andar atrás das pessoas sem fazer nenhum mal, desde que não se dê importância ao fato e a pessoa não abuse. Ela só fará mal a quem fizer dela uma brincadeira". Este relato foi feito às alunas do Colégio Senhora de Fátima, em 1.974. |
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